17/04/2012

Desencanto - blogagem coletiva 2a fase

        Esta publicação faz parte da minha participação na blogagem coletiva Amor aos Pedaços.

Desencanto
Eu não sou de me desencantar facilmente, mas neste caso não teve como ser diferente.
Foi assim...
Hoje sinto a necessidade de falar sobre a minha mãe Helena. Uma pessoa criada na roça, casou com dezesseis anos, com um pretendente imposto pelos seus  pais, mudou muito de casa, bairros e cidades. Batalhou no decorrer de sua vida lá pelo interior de Minas Gerais e lá pelas tantas de seus anos de vida foi morar no Rio de Janeiro. 

Esqueci de dizer que minha mãe era uma pessoa muito religiosa
Quando éramos pequenos sempre íamos à igreja. Todos bem arrumadinhos e lá estávamos nós naquele banco enorme. Sem dar um pio. Só escutando aquele longo (e bota longo nisso) o sermão do padre. 

Quando crescemos, cada um seguiu seu rumo e íamos a igreja quando bem entendéssemos. Só a Dona Helena que ia sempre. Quer dizer, quase todos os dias, pois ela ajudava e costurava para pessoas carentes e bazares  e fazia parte de uma congregação. Ela tinha diversos amigos. Eles viajavam e sempre festejavam algum momento especial. Era uma união bacana mesmo.
Pois bem... Minha mãe cuidava da sua pressão arterial... Eu morava em Natal/RN e ela com a minha irmã no RJ. 
Um certo domingo liguei para ela, como de costume e falamos, rimos e trocamos figurinhas. Éramos amigas... Somos...
A tarde recebi uma ligação...Minha irmã... "A mamãe desmaiou e foi internada..." Uau!!! Fiquei sem chão... Sem referências... Sei lá...
Concluindo esse momento...Ela teve aneurisma cerebral e teve que fazer duas cirurgias. Há mais ou menos dez anos ela está em cima de uma cama. O seu lado esquerdo ficou bem paralisado...Ela sempre esteve muito lúcida para perceber tudo que acontece a sua volta.

DESENCANTO: Com a igreja... Com as pessoas que faziam parte daquela congregação... Com o padre daquela paróquia.... Com os amigos que estavam sempre dispostos a fazer tantas coisas juntos. Com aqueles outros amigos que, quando precisavam a chamavam de vó e deixavam seus filhos para que ela cuidasse um pouquinho... 
AONDE ELES FORAM PARAR NO MOMENTO EM QUE ELA MAIS PRECISAVA DE APOIO? DE UMA HÓSTIA? (QUE ELA FAZIA TANTA QUESTÃO DE COMUNGAR). DE UMA PALAVRA DE CONFORTO? DE ALGUÉM PARA ESTENDER A MÃO, ASSIM COMO ELA FEZ MUITAS E MUITAS VEZES?

Sei que não devemos fazer nada pensando em receber algo em troca, mas acho bacana estender a mão para alguém que nos ajudou tantas e tantas vezes, não acha? 
Não perdi a minha fé, não é isso, apenas esperava mais das pessoas que por muitas vezes estavam presentes na vida de uma linda pessoa. Somente isso.

12 comentários:

  1. É de fato esperar o espírito cristão nem sempre é encontrar...ao que me parece as pessoas mais amadas estiveram sempre com ela na comunhão do verdadeiro amor. Deixemos as igrejas e as religiões dos homens, para escutar o coração, pois este tem contato direto com Deus por meio da fé! Abraços

    ResponderExcluir
  2. Desabafo forte e que nos faz parar e meditar!
    Muitas vezes nos doamos ao próximo e quando mais precisamos, a reciprocidade não vem.
    Mas as circunstâncias sempre nos levarão a um aprendizado, mesmo que seja pelo sofrimento.
    Fé na Vida!
    bjs Sandra
    http://projetandopessoas.blogspot.com//

    ResponderExcluir
  3. Olá, querida Terezinha

    "Tu és o orvalho que me beija"...
    (Meliss)

    Em pleno período pascal nos reencontramos para tecer o nosso Desencanto... entrelaçar partilhas de coração a coração...

    Vc fez muito bem em denunciar o Desencanto com a Pastoral da Acolhida da nossa Igreja... eu também a sinto bem pra baixo ao invés de dar força aos que padecem... mas é o tal lance: somos Igreja pecadora e santa... porque formadas de pessoas como nós: cheias de sombras...
    Ainda bem que Deus nos acolhe a todos igualmente e não faz acepção de pessoas...
    Lindo isso!!!

    Obrigada por sua participação e nos vemos no próximo mês se Deus quiser!!!
    Bjs de Paz e Esperança junto com o meu carinho fraterno

    "Meu coração orvalhado
    pleno de gratidão,
    agradece a Deus"...
    (Élys)

    ResponderExcluir
  4. Terezinha, que história comovente a de sua mãe. E como é triste o desencanto com o ser humano.
    Tem razão em ficar desapontada, triste, magoada. E tem que ser denunciado à diocese, uma providência têm que tomar, para atender o desejo de sua mãe de receber a comunhão.
    Mas não é só isso, é ver o quanto não somos solidários ao nosso irmão.
    Uma questão não de religião, mas de humanidade mesmo.
    Espero que ainda assim haja encanto na vida dela, com os filhos ao lado.
    E que o desencanto com uns não tire a alegria de vocês.
    Beijo e boa semana!

    ResponderExcluir
  5. Sua postagem me todcou muito. Minha mãe sofreu um Acidente Vascular Cerebral em 1983. Tinha 57 anos. Ficou paralisada do lado esquerdo mas muito lucida até à morte do meu pai em Março de 2009. Após a morte dele ela sofreu um novo AVC e desta vez sim ficou com o juizo afetado tendo muitas alturas que nem sequer nos conhecia. Foi um longo sofrimento até ao dia 5 de Fevereiro de 2011. Graças a Deus não tive esse problema. Todos os domingos eu montava junto da cama dela um pequeno altar e volta das 10.30 da manhã ia uma senhora da igreja que lia o Evangelho e lhe dava a comunhão. Todos os anos na Quaresma o padre passava lá por casa e a confessava e no dia do doente sempre lhe deram a benção.

    Um abraço e uma boa semana

    ResponderExcluir
  6. muitas vezes quando mais precisamos as pessoas que achávamos que poderíamos contar não aparecem,isso é realmente muito triste mesmo.
    Não perca a fé,que sua mãe sempre teve!
    abraço e uma ótima semana,=)

    ResponderExcluir
  7. Oi Teresinha,
    compreendo seu desencanto com as pessoas em geral.
    Já me desencantei tantas vezes com a "troca" desequilibrada.
    Talvez por isso, durante um periodo, optei por colocar na balança minha doação e entrega.
    Hoje não ajo assim mas porque percorri um caminho de aprendizagem.
    Nas fases futuras revelarei algo mais.
    Gostei muito do seu testemunho. Veio completar a BCAP.
    Beijinhos além-mar.
    Rute

    ResponderExcluir
  8. Oi Teresinha
    Infelizmente o ser humano, veja bem, estou generalizando, dá muita atenção, muito carinho, enquanto as pessoas estão bem de saúde e financeiramente, caso contrário eles abandonam, se esquecem daquela pessoa ou família que um dia foi tão importante em suas vidas ou no meio social em que conviviam.
    Temos que contar é com nossa família, assim mesmo alguns, a maioria desaparece nos momentos de dor e sofrimento.
    Bjo e fique bem

    ResponderExcluir
  9. Instituçições são reflexos do que o ser humano se constitui, infelizmente o mundo não anda lá muito solidário, a pessoas se aproximam por seus interesses e depois se afastam. Suas expectativas tiveram lógicas e as frustrações vieram. Espero que sua mãe não tenha ficado com mágoa e que possa ter tido uma nova pastoral, com um pároco mais humano.
    bjs

    ResponderExcluir
  10. Oi Terezinha,

    Por mais que saibamos que naõ desejamos fazer o bem espereando retribuição, desejamos ao menos que, em momento de precisão, sejamos amparados como fomos amparadores. Eu acho justo.
    Este desencanto acontece mesmo.
    Eu passei por momentos ruins devido a saúde e sabe o que notei? Que algumas pessoas tem medo de te ver quando nao está bem, de nao saber o que dizer, enfim...é um despreparo somente - nem sempre é falta de amor ou atenção.
    No meu caso fui surpreendida pela cia e ajuda de outros que achei que jamais me estenderiam a mão.
    Um abraço para vc e sua maezinha.
    Bjos

    * desculpando-me, pois visitou-me na primeira fase (Encantamento) e só agora pude retribuir a visita.

    ResponderExcluir
  11. Cherrie: torço para que sua mãe esteja melhor, ou se sentindo bem.
    Quanto a esperar do ser humano, sinceramente, é pedir demais. Parece que a ingratidão move 99% da humanidade. Ou quase isso.

    bjnhs

    ResponderExcluir
  12. Terezinha, a sua criação foi muito parecida com a minha. Também sou mineira do interior e sinto falta das relações mais estreitas, onde as pessoas se preocupavam mais com as outras, sabia-se quem era quem e a que família pertencia. Quando alguém ficava doente, a notícia corria e a cada dia uma pessoa visitava o doente, justo para esse não se sentisse esquecido. Era esse o cuidado. Hoje em dia somos um número e são poucos os amigos cativos, que se preocupam mesmo com o nosso bem estar. Existe um ditado que diz "Seja amigo de todos, mas abra o seu coração a apenas um". Isso quer dizer que, com o passar dos anos, peneiramos os nossos amigos e ficam poucos, os que verdadeiramente suportam as nossas barras pesadas. Não perca as esperanças! No meio desse bolo de gente, tem sempre alguém especial que nos sinaliza que vale a pena confiar. No final da vida, mesmo que tenha sido popular, verá que sobraram apenas 2 ou 3 amigos especiais, o resto... ah, não gosto de pensar nisso, sou uma pessoa bastante confiante nas pessoas e sempre espero que elas extraiam de si algo bom, que regenerem, que passem a enxergam a vida com mais substância.
    Bom fim de semana! Beijus,

    ResponderExcluir

Amei o comentário. Bjs mil. Tê